Monday, March 19, 2012

Os créditos finais

Regresso, após uma longa ausência - longa demais - durante a qual nunca deixei de procurar os filmes, simplesmente não encontrava as palavras - e as palavras, de simples nada têm. Tenho novas ideias, novos textos e espero que em breve todas possam florescer neste espaço. Mas antes, uma pequena lembrança.
Uma lembrança que o cinema, é arte, escapismo, produto e kitch; é uma visão, ou visões, são falas inesquecíveis, superação, eternidade, esquecimento e batimentos cardíacos com ritmo musical. Um filme começa com os créditos iniciais e termina com a luz branca após os créditos finais. E são últimos que venho evocar. Cada pessoa sente e vive um filme de forma diferente, longe de mim querer evocar a norma perfeita, a forma única e incondicional de ver um filme. É a minha forma, é a minha visão, nada mais: para mim um filme começa com os créditos iniciais e termina com a luz branca que sucede os créditos finais. A música, ou a sua ausência, é a moldura para todos os nomes que compõem um grupo enorme de pessoas que se uniram para criar um filme e ignorar essa parte é de certa forma ignorar a sua importância. Além disso os créditos finais tem muitas vezes certas surpresas: os bloopers impressionantes dos filmes de Jackie Chan, algumas vezes superiores - em entretenimento - ao filme que os precederam; ou outtkakes cómicos de algumas comédias - às vezes engraçados outras vezes supérfluos; sequel hooks nos grandes blockbusters de acção ou nos filmes de terror - o assasino afinal está vivo!
Ou talvez mais importante do que tudo isto, os créditos são a via media que nos permite assimilar a experiência que vimos no grande ecrã; é o primeiro período de reflexão, em que voltamos a nós, voltamos à realidade e escolhemos - ainda que de forma inconsciente - as imagens, mensagens e temas que sempre associaremos ao filme, pelo menos até à próxima vez que o voltarmos a ver - um bom filme, é como um bom livro, suscita diferentes leituras.
A minha experiência dita que mais de metade das pessoas sai imediatamente após o fim da narrativa, o chamado "fade to black", pelo que cedo me habituei a abafar o ruído dos passos e pacotes de pipocas amarrotados - ainda que acabe sempre por reter um ou outro comentário. Alguns minutos depois saio também, a sala já vazia, sem música, sem créditos, apenas o som dos meus e pensamentos da memória recente de uma experiência que no fundo se perpetua para lá da sala de cinema e que inevitavelmente me fará regressar.

P.S: Os créditos finais deste texto são os comentários dos seus leitores.