
Pura como neve
Uma procissão musical cristã toma lugar à porta de uma prisão, em honra de Lee Geum-Ja (Lee Young Ae) uma recém libertada e reformada prisioneira, sentenciada pelo homícidio de uma cirança chamada Won Mo. O caso, atraiu a atenção da nação devido à sua aparência jovem e inocente e condenou-a a uma longa sentença, senteça essa que foi encurtada devido à sua aparente transformação pessoal na prisão. No então mal abandona o cárcere, Geum-Ja ignora a procissão em sua honra e parte imediatamente com o intuito de se vingar.
Lee Geum-Ja, não cometeu o homícidio de que foi acusada. O verdadeiro assassíno, Mr. Baek (Choi Min-Sik) forçou-a a confessar pelo crime ou a filha recém nascida de Geum-Ja seria morta.
Na prisão vemos Geum-Ja a fazer um grande número de amizades: doa um rim a uma companheira de cela, toma conta de outras e assassina uma prisioneira que agradia e violava outras mulheres. O seu comportamento maternal granjeia-lhe a alcunha de "Sra. com um coração de ouro".
Fora do cárcere Geum-Ja começa rapidamente a largar essa fachada de simpatia e adopta simbolos que reforçam essa transformação como usar sombra para os olhos vermelho-vivo e sapatos de tacão provocadores. A sua sede de vingança manifesta-se através de sonhos recorrentes nos quais ela mata Mr. Baek.
Fora da prisão somos testemunhas do minucioso plano que Geum-Ja coloca em acção. A sua eficácia, meticulosidade, calma e descernimento fazem dela um ser frio e distante cujo o único objectivo é a vingança. A transformação de jovem inocente, para mulher amarga, mudada por circunstancias que não pode evitar, fazem de Geum-Ja o protótipo da anti-heroína: aqui está uma mulher que não conhece limites para atingir os fins. Como espectadores escolhemos antecipar o climax da sua vingança e crer que é justificada, ou aguardamos que uma cadeia irrevogável de acontecimentos a impeça de extrair a sua vingança? Que moralidade estará ausente aqui?
A transformação da protagonista conhecerá outro nível quando a sua filha reentrar na sua vida. Será que é tarde para esta mulher perdida voltar a encontrar o seu papel como mãe? A sua filha estava a viver com pais adoptivos Australianos e não fala Coreano. A intimidade entre mãe e filha atinge-se para lá das palavras.
Este é um filme sobre vingança, o terceiro na chamada "Trilogia da Vingança" do realizador Park Chan-wook e mais uma vez este realizador aborda esta temática de forma inesperada. Falei de moralidade e falei de antecipar o climax do filme. Revelar o terceiro acto seria estragar a experiência, mas dizer que a reflexão que cria sobre conceitos como a perda, a validade de quem quer vingança, é apenas despertar a curiosidade.
De facto este filme não se limita a apresentar-nos o vilão destorcido e a justiça que deve ou não ser-lhe aplicada; não apresenta na realidade o vilão como o único potencial monstro, pois coloca as coisas noutra perspectiva: um ser humano toldado pela injustiça da perda, é capaz das mais atrozes acções, capaz de suspender a sua humanidade para pagar na mesma moeda a quem lhe causou dor.
Este filme levanta estes temas e não nos apresenta um final fácil, mas consgue terminar com uma sensação de resolução. Dado os temas e acontecimentos que aqui vemos, parece-me algo difícil de fazer, mas que é bem sucedido. Para pensar sobre as implicações e sobre o que significa a vingança.
Veredicto: 4/5 (Cubos de tofu)
Realizador:
Park Chan-wook
Elenco:
Lee Young-Ae
Choi Min-Sik
Notas: Aconselho os dois restantes filmes desta "trilogia da vingança": "Simpathy for Mr. Vengeance" e "Oldboy-velho amigo"do qual já falei neste blogue.

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