Friday, February 6, 2009

O último Samurai - the last Samurai




Dos homens e da honra


Nathan Algren (Tom cruise), é um desencantado e alcoólico ex-capitão do exército Norte-Americano que viaja até Tokio para ajudar a modernizar e treinar o novo exército Imperial Japonês. Contudo o "exército" que Algren tem nas suas mãos não é mais que um grupo de camponeses e pedintes, que ele nem tem oportunidade de formar em condições pois cedo são despachados para defender uma linha de caminhos de ferro de um grupo de samurais rebeldes.

Os soldados de Algren são derrotados e forçados a retirar. Algren acaba por ser capturado e poupado a uma morte certa, graças a uma coincidência onírica: o líder dos samurais, Katsumoto (Ken Watanabe) tivera um sonho sobre um tigre branco que o ajudara numa batalha, e Nathan usou uma lança com uma bandeira que continha a imagem de um tigre branco. Katsumoto decide levar Nathan consigo para o acampamento e aprender mais sobre o seu adversário.

O Japão representado nesta época, surge como uma nação que se quer afirmar como moderna e poderosa. A revolução industrial começa a impor-se com a força do vapor, dos caminhos de ferro e as armas de fogo. Num mundo a modernizar-se os samurais e o seu código de honra e de vida parecem já não ter lugar.

No seu cárcere Nathan começará uma viagem de transformação, á medida que vai conhecendo melhor uma cultura tão particular e o estilo de vida dos lendários guerreiros samurais: os ultimos baluartes de um modo de pensar e estar assente em códigos de honra, lealdade e sacríficio. Nathan terá não só que se adaptar a uma realidade que não conhece, como também vencer os seus demónios pessoais.

O filme tem um tom calmo, quase zen , algo que quem estiver habituado a ver os blockbusters em que Cruise participa, poderá achar estranho. Contudo este é um épico com muita alma e quando vemos Nathan a treinar a arte de lutar com uma katana, rodeado por imensas colinas sentimos que há algo nestas imagens de transcendente. "O ultimo samurai" tem cenas de batalha elaboradas e grandiosas, contudo os melhores momentos do filme são os duelos ideológicos entre Katsumoto e Nathan. Aqui vemos duas grandes mentes debater questões filosóficas sobre a vida e a morte, a guerra e a paz. Pode soar enfadonho, mas não é graças à presença que ambos os actores trazem para a tela, deixando-nos presos a cada palavra que proferem. Vemos o desenvolver de um laço de admiração entre dois homens cujas culturas são diferentes, mas cujos valores são os mesmos.

Outro aspecto que acho que vale a pena realçar é a relação entre Nathan e a mulher de um samurai morto pelo protagonista. Ela, Taka (Koyuki Kato), é forçada a acolher em sua casa o homem que a enviuvou, um estranho que odeia. Contudo com o passar do tempo vemos no seu olhar a luta interior desta mulher que deseja e odeia o mesmo homem. Não existe a típica cena de amor entre eles, ou melhor existe mas está invertida: a cena mais romântica e de certa forma erótica ocorre quando Taka ajuda Nathan a preparar-se para a batalha; a forma como ela o veste, manusei-a os tecidos, tocando o corpo dele é um nada erótica e terna, culminando num beijo antes da partida do guerreiro.

No fim há um confronto entre samurais e o novo moderno exército Japonês. Sabemos que o que está em confronto é intemporal: ideologias diferentes, códigos diferentes, visões díspares do mundo. A única falha do filme reside realmente no seu final. Não vou revelar o fim obviamente, mas vou dizer o seguinte: uma das grandes mensagens do filme é veiculada por Katsumoto quando afirma que o seu bushido - estilo de vida do samurai, regido pela espada - é uma forma de ver o mundo, uma forma de viver e isso implica também uma forma de encarar a morte. Aprendemos que um guerreiro Samurai não teme a morte e que uma boa morte seria morrer em batalha. Contudo Katsumoto não é nenhum guerreiro sanguinário com um desejo de morte; é antes um espírito nobre em paz com tudo o que o rodeia, mas desiludido com um mundo que já não lhe reconhece a utilidade ou gratidão de outrora. Katsumoto sabe a diferença entre morrer por aquilo em que se acredita e morrer por causa daquilo em que se acredita.
Infelizmente o realizador e argumentistas não se lembraram disso e o filme acaba por obedecer á lógica dos grandes projectos blockbuster. Vejam o filme para saber do que falo.

De resto este é um filme em que o americano não é o conversor da cultura que encontra, mas é antes convertido a essa cultura. Esta é uma abordagem refrescante e bem realista. Todo o filme acaba por ser bem original nas ideias que traz para o grande ecrã e na minha opinião apenas o final, que convenhamos não é horrível, o impede de ser algo de verdadeiramente único. Não deixa de ser um dos meus filmes favoritos, um que é tão idealista como Katsumoto. No fim fica a pergunta: afinal quem é o ultimo samurai do título? Nathan Algren? Katsumoto?

Veredicto: 4/5 (Katanas)

Realizador: Edward Zwick
Elenco:
Tom Cruise
KenWatanabe
Timothy Spall
Koyuki Kato
Billy Connolly

Notas: Deste realizador aconselho os filmes "Diamante de sangue" e "Lendas de paixão".

1 comment:

  1. Olá:)

    Tentei encontrar na web a minha opinião sobre este filme, pra te mostrar o que tinha escrito na altura, mas não encotrei... acho k o site foi reformulado e tudo se foi...
    Gostei imenso do k escreveste, aliás, se me permites, escreves com uma clareza fantástica e fazes descrições sensacionais:)
    Esqueçamos o Tom Cruise e pensemos no Nathan Algren, é tb um dos meus filmes preferidos, daqueles q não mais esqueci, como te disse.

    "Contudo este é um épico com muita alma e quando vemos Nathan a treinar a arte de lutar com uma katana, rodeado por imensas colinas sentimos que há algo nestas imagens de transcendente." concordo com estas tuas palavras.

    "Diamante de Sangue" tb vi e foi marcante,
    escapam-me pormenores, mas gostei bastante e das representações tb, esse eu revia:)

    Bem e acho k tenho k ler a tua descrição do Kill Bill, outro filme k marcou a minha vivência na 7ª arte!

    beijinhos, gostei deste local:)

    Sónia

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