
A bela e o monstro...ou será ao contrário?
Brando e Schneider ou um conto de almas perdidas. Ele (Marlon Brando) um americano de 45 anos a viver em Paris, assombrado pela morte da mulher. Ela é Jane Eyre (Maria Shneider) uma bela parisiense de 20 anos, noiva de um jovem realizador. Ambos procuram um apartamento para alugar. Encontram-se num apartamento livre e a partir desse momentos os seus corpos ficarão entrelaçados numa união física, sexual, levada ao limite.
Ele não quer saber o nome dela e não lhe diz o seu. A sua relação nasce de uma necessidade de preencher, através de jogos sexuais, um vazio que até ali as suas vidas não souberam suprir de outra forma. Ele é uma alma atormentada, um espectro, fisicamente decadente e mentalmente quebrado. Ela é jovem, mas sente-se perdida, sem rumo decidindo entrar num jogo de máscaras no qual é subjugada sexualmente - ou será o inverso?
Estes desconhecidos, estes amantes irregulares fazem de um apartamento vazio o seu recreio; apartamento esse que é um reflexo do quão despidos estão não só os corpos, mas os espíritos. Quando o sol ilumina aquelas quatro paredes a melancolia é mais evidente, como se não houvesse forma de esta se esconder.
Paris aqui não é uma imagem risonha de um postal de férias. É real, anti-romântica e desencantada como as personagens que a habitam.
Sinto que pintei um quadro negro de um filme triste. De facto este é um filme soturno sobre as consequências de um amor fou, um tipo de amor tão avassalador como destrutivo. Quando a música de Gato Barbieri relembramos a perenidade da vida e a natureza fugaz do sentimento. Contudo este filme desafia o nihilismo do amor que vemos no ecrã e faz-nos questionar: será possível resgatar um coração moribundo?
Veredicto: 4/5 (Pacotes de manteiga)
Realizador: Bernardo Bertolucci
Elenco:
Marlon Brando
Maria Schneider
Jean-Piérre Léaud
Notas: Do mesmo realizador e com uma temática não muito afastada aconselho "Os sonhadores". Um filme menos melancólico, menos impactante do ponto de vista emocional, mas ainda assim um bom filme.

Music on, eyes on the opinion.
ReplyDeleteHere it is:)
If such intense emotions are involved, I really have to watch this film. Your words were determined and clear as tango. I could see through those words: Paris watching over them, providing the oportunity for them to experience life inside themselves, with each other.
Names aren't needed when body language is stronger. They were involved in their souls, crossed in their emotions and lives. Rythm. Each place, each person posesses more than one side, more than one postion.Like Paris: was grey and dark on that day. (As they were?) thoughts and emotions.
Deep thematic. Music calling. Paris as movie set. Human experiencing. Lives. Sensations. And a movie is complete.
On my mind.
:)